Entrevistas

Professor Joaquim Menezes

Como surgiu a idéia de criar a AAMEDSA?

Tudo começou após a diretoria da faculdade naquela época ter adotado uma postura equivocada e centralizadora, quebrando a proposta de fazer um Colegiado com os professores da Faculdade de Medicina de Santo Amaro. Os inúmeros desentendimentos entre  professores e direção cuminaram na demissão do Professor Parada, tal ato foi visto como represália ao movimento de oposição da atual gestão. Desse modo, os professores e ex-alunos, indignados com tal atitude, decidiram criar uma “Associação de Amigos” que contaria com a participação dos alunos, ex-alunos, professores e ex-professores.

Quais eram seus objetivos?

Essa associação tinha três objetivos principais:

1- Defender os interesses dos professores e alunos da FMSA.

2- Agrupar o maior número possível de pessoas que amavam a FMSA, tanto alunos e professores através de diversos eventos sociais.

3- Criar um espírito que para sempre deve-se buscar o melhor para a nossa faculdade.

Quais foram os primeiros eventos realizados pela AAMEDSA?

“O primeiro evento foi o mais memorável”, realizamos um Baile no Terraço Itália que conseguiu juntar cerca de 200 pessoas (entre alunos e ex-alunos). Programamos uma parte para a diversão com o jantar e o baile; assim como uma parte reservada para a política, a qual discursaram figuras importantes da associação e da faculdade. Após esse período, conseguimos realizar mais 2 eventos, no Buffet Torres e na Associação de Engenheiros, porém infelizmente acabaram não repetindo o sucesso obtido com o primeiro evento.

Quais foram os obstáculos que, naquela época, a AAMEDSA teve que enfrentar?

Uma das coisas que desanimaram as pessoas foi o fato das despesas acabarem sendo pagas pelos próprios membros, pois a associação não estava obtendo recursos para se manter com as próprias pernas. Outro fato é que a diretoria da faculdade não apoiava a associação em nenhuma instância, pois eles não gostavam que houvesse opinião contrária a deles.

Na sua opinião, qual foi o principal motivo que prejudicou o desenvolvimento da associação?

Como disse anteriormente, o principal motivo foi sem dúvida a falta de apoio da direção da faculdade, enquanto que nas outras faculdades tradicionais como FMUSP e Santa Casa a diretoria apoiava de todas as maneiras possíveis pois sabiam que estavam investindo na sua própria “casa”.

Durante todos esses anos, mesmo após a AAMEDSA não ter alavancado, o senhor sempre a manteve viva, por quê?

Porque tive esperança, acreditei do fundo da minha alma que um dia a associação fosse “reviver”.

O que o senhor sentiu quando soube que seus “calouros da atual geração”  tinham o intuito de revitalizar a associação?

Ao saber disso me senti muito alegre e com orgulho de ver que essa chama, ou melhor, esse espírito único e diferencial de ser santo amaro estava vivo, essa nossa filosofia com uma face humanística para os pacientes. Por isso que fiquei contente, pois manter a associação representa manter esse espírito vivo e reconhecido em todos os lugares que passei pela minha vida profissional e pessoal.

Como foi este recomeço?

Não está sendo fácil, após ter vivenciado diversas crises, acabei desistindo da carreira universitária após os últimos acontecimentos e resolvi “passar o bastão” da associação para pessoas que pudessem levar adiante todo o legado construído por nós, com o mesmo afinco e dedicação.

O que pessoas como Dr. Willhem, Dr. Parada e Dr. Alfézio representam para o senhor?

Eu vejo essas três pessoas como um grande “TRIPÉ”:

O Willhem era aquele idealizador que possuia uma filosofia de um ensino humanizado, diferenciado e único.

O Parada era aquela pessoa correta, dedicado ao ensino, que mesmo após 20 anos de ter sido demitido sempre foi fiel e unido  a associação.

O Alfézio era o “aluno que hoje é professor”, participou ativamente da faculdade como aluno e professor chegando a conseguir um feito histórico de “derrubar” o atual reitor da época. Com certeza uma das figuras responsáveis por manter essa chama acesa por todo esse tempo.

Dr. Joaquim, na sua opinião, como senhor vê a sua importância para a AAMEDSA?

“Eu diria que me vejo no Segundo Escalão”, apenas ajudei na coordenação dos passos, digamos que na parte prática do processo.

Em 2014 haverá a publicação do livro que contará um pouco sobre a História da Faculdade de Medicina de Santo Amaro. Como é participar de mais um momento histórico e qual é importância desse livro?

É muito gratificante poder participar de mais um momento histórico, na minha opinião acredito que esse livro pode ajudar a manter a memória da faculdade e passar para os alunos aquele espírito que tanto falamos, afinal foi escrito por pessoas que participaram e lutaram por esses ideiais. Sabe, os melhores professores que uma faculdade pode ter são os seus ex-alunos, estes sim irão cuidar do nosso patrimônio da maneira mais adequada.

A frase “O ideal é eterno” é utilizada até hoje como um lema para a associação e seus membros, desse modo gostaríamos de saber sua opinião: qual seria esse “ideal”?

“O ideal é útópico, porém é sempre importante termos em mente que perseguí-lo fará você não ficar estagnado e querer buscar sempre algo melhor, um aprimoramento. Então digo que nosso ideal é manter sempre vivo esse espírito, essa chama, essa memória…”