Entrevista com Doutor Silvio Gabor

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Por Silvio Gabor

1.Trajetória pessoal até a Faculdade

Eu me recordo aos sete anos de idade, com meu avô paterno lendo para mim uma reportagem sobre o primeiro transplante de coração realizado no Brasil pelo Professor Zerbini. Parece incrível, mas lembro claramente da cena e de ter falado para ele “é isso que eu quero ser quando crescer”. A partir daí, muitas vezes eu respondia que iria ser médico. Venho de uma família de pequenos industriais. Meu avô paterno veio da Hungria logo após a I Guerra Mundial. Por ser judeu não poderia ficar lá, ou seria morto. Chegou aqui com alguns poucos dólares no bolso e sem falar português. Junto com minha avó, começou a fabricar etiquetas (dessas que vão nas golas das camisas) e com isso criou meu pai e deu emprego a ele. Meu irmão, irmã e cunhado trabalharam lá. Uma fabriqueta de fundo de quintal cresceu e sustentou toda a família por muito tempo. Fazia parte dos planos deles que eu também fosse para lá. Minha mãe foi contra por muitos anos da profissão que eu queria seguir. Quando não passei na primeira vez e fiz cursinho novamente, acabei “ganhando” dela a inscrição para vestibular na FEI, onde passei em terceiro lugar. Felizmente passei também no ABC e PUC Sorocaba além da UNISA (OSEC na época). Cursei a FMSA na Nona Turma, entre os anos de 1978 e 1983. Minha especialização de três anos foi feita na FMSA, onde permaneci como professor assistente até 1990. Voltei há cerca de 10 anos como plantonista do HGG e há três anos fui recontratado como professor pelo Prof. Dr. Marcelo Ribeiro Jr.

2. Qual a importância da FMSA na sua carreira? Acredita que seria diferente se tivesse cursado outra faculdade?

A UNISA me deu oportunidade de ser o que eu realmente queria ser. Além de oferecer ensinamento em alto grau, a FMSA me trouxe novas amizades. Amigos que tinham o mesmo ideal que eu e, portanto, amizades sinceras. Recentemente reunimos o pessoal em um grupo de whatsapp, onde contamos, atualmente, com 42 dos 66 membros. Infelizmente três do grupo são falecidos, mas temos certeza que reuniremos todos. Amizade também entre colegas de outras turmas e professores sempre foi presente. Vivi a época do barracão, e que época boa! Quando uso o jargão “foram os melhores anos de minha vida”, pode acreditar que foram mesmo. Quanto a ter uma vida diferente caso tivesse cursado outra faculdade, a resposta é certamente “sim”. Se essa vida seria melhor, a resposta é certamente “não”.

3.Que atividades você desenvolve atualmente?

Desde a R2, acompanho o Dr. Ruy Francisco Pedroso, ex-aluno (7ª turma, ex-residente e ex-plantonista do HEWA) e que hoje, é um grande amigo, mais do que um grande colega. Atualmente faço parte da Disciplina de Cirurgia Geral onde tenho dedicado maior parte do meu tempo ao Grupo de Parede Abdominal junto com os Drs Murillo Favaro e Alexandre Fonseca (ex- alunos e residentes da FMSA) e Dra Stephanie Santin (ex-residente) onde temos estudado e transmitido novos conhecimentos para internos e residentes. Iniciamos a realização de cirurgias de hérnia por laparoscopia e cirurgias complexas de hérnias incisionais gigantes, acompanhando o que tem de ponta no mundo sobre o assunto. Participaremos ativamente dos Congressos Mundial e Brasileiro desses anos. Realizamos recentemente transmissões de altíssima qualidade e ao vivo de cirurgia dentro do HGG. Desenvolvemos um programa específico para o R3 de vídeo, que a partir desse ano fará cursos em centros especializados e com tecnologia de ponta. Desenvolvemos aulas teóricas de maneira mais moderna e participativa que implantaremos aos alunos do quarto ano no segundo semestre. E sou plantonista no HGG na noite de terça feira.

Além disso, desenvolvo atividades em consultório particular, onde procuro levar aos meus pacientes o que há de mais moderno como cirurgias de portal único nas laparoscopias e o THD nas hemorroidectomias. Essas atividades sempre com a presença do Murillo e do Alexandre, além do Dr. Ruy.

Com isso justifico a resposta anterior: por mais que tivesse tido oportunidades diferentes das que tive, jamais teria encontrado as pessoas que encontrei.

4.Você pratica algum esporte?

Pratico. Vou quando possível na academia, mas confesso que o esforço é grande. Adoro pedalar e pedalo sempre que possível. Quando dá vou ao consultório de bike. É o que posso atualmente. Joguei futebol, nadei, fiz judô e muitos outros. Sempre pra me divertir. Nunca fui campeão de nada, exceto pelo título de vice-campeão paulista de judô aos 12 anos

5.Que sugestão você daria para quem está cursando – atualmente – a FMSA?

Dedicação. Dedique-se aos estudos e aprendam o máximo possível. Suguem seus professores e colegas mais velhos, pois estamos aí para isso. Lutem pela escola, pela melhoria da qualidade do ensino. Temos material humano de primeiro time e condições de passarmos muitos conhecimentos. Podemos e seremos umas das principais escolas de ensino Médico e para isso contamos com você. Dediquem-se!

6.Pode sugerir um livro?

Claro, vários, mas vou destacar a trilogia de Noah Gordon: O Físico, O Chaman e A Dra. Cole. Principalmente o primeiro, onde mostra a busca de um sonho.

PARA FINALIZAR:

Assim como eu tenho orgulho de ter feito toda a minha formação na UNISA, cabe a você ter também os seus motivos para isso. Agindo com correção e estudos você crescerá e todos cresceremos juntos. O nome da escola será reconhecido e com isso um orgulho ainda maior de ser da UNISA. Nessa escola somos parte integrante e importante dela e não apenas mais um que passou por aí. Tenha orgulho de ser da UNISA e mantenha essa chama acessa. Seja sempre muito feliz!

 

Dr-Silvio-Gabor