Entrevista com Dr.º. Fabio Boucault Tranchitella – Ex-Aluno da XV Turma

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Fale um pouco de sua trajetória pessoal até a Faculdade

  1. Não lembro quando começou meu desejo de ser médico, apesar de outras carreiras que me seduziam, ligadas a desenho, criatividade, artes; mas, não tive dúvida para preencher minhas inscrições com Medicina, salvo uma faculdade que prestei (nem me lembro qual) que coloquei Veterinária, porém na segunda fase tive que optar e segui em frente e minha vocação. Até então minha família, que é grande “pacas”, não tinha muitos médicos somente um tio em Piracicaba, que me influenciou muito; além da  minha mãe, após a perda do meu irmão por Osteossarcoma quando eu tinha 13 anos e a convivência próxima  e constante com profissionais brilhantes,  foram o que manteve sempre como prioridade meu entusiasmo pela profissão.

Qual a importância da FMSA na sua carreira?

  1. Assim que pisei naquele campus em fevereiro de 1984, me identifiquei com tudo e não consegui largar mais, sempre fui um apaixonado pela Faculdade, ainda tenho muito orgulho pelos nossos professores e meus amigos permanecerão comigo para eternidade. Acho que a identificação plena e o amor por uma instituição de ensino faz você crescer mais rapidamente, faz você trabalhar por ela e ela cresce também. Ajudei a montar a Liga de Ortopedia que se mantém até atualmente (GEAL), frequentei semanalmente a Liga de Hipertensão por anos, fui duas vezes a projetos no Vale do Ribeira, ajudava na Atlética, D.A., CODOAL, fui duas vezes a Brasília brigar pelo que eu achava certo. Nunca fui um aluno brilhante, mas a Faculdade de Medicina de Santo Amaro me alavancou para passar em quatro residências médicas e retornar o mais breve possível a lecionar e fazer parte dessa família.

Que atividades você desenvolve atualmente?

  1. Após a Faculdade, servi a Força Aérea Brasileira (não tive como escapar, mas não reclamo daquele ano de 1990, também aprendi muito), fiz minha residência médica no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas, passei na SBOT e por lá fiz pós-graduação em Medicina do Esporte (naquele tempo era considerada uma especialidade da Ortopedia, sendo que hoje em dia já temos residência nesta disciplina). Neste interim fui contratado na OSEC para lecionar na Faculdade de Medicina de Santo Amaro e posteriormente em Fisioterapia, fui muito feliz por 16 anos e homenageado 10 vezes pelos alunos. Após minha demissão no final de 2009, ainda mantive preceptoria junto aos residentes e internos no Hospital Grajaú, onde ainda permaneço e muito feliz. Acho que para preencher o vazio de ex-professor e por um desejo incrustado desde a infância decidi fazer outra pós-graduação em Medicina Legal, prestei concurso para Legista e atualmente sigo também nessa carreira que também adoro. Após mudanças na Universidade, fui recontratado a lecionar na Faculdade de Medicina, agora com três especialidades para desenvolver.

Sua turma continua mantendo contato?

  1. Minha turma é minha família. Mantivemos contato por todos estes anos e religiosamente marcamos nossos encontros anuais, encontros mensais, etc. Agora com uma comunicação digital fácil, a gente se fala diariamente. Quando começamos a utilizar o WhatsApp, parecia que estávamos na sala de aula durante o intervalo.

Você pratica algum esporte?

  1. Sempre gostei de praticar esportes, o que tornou fácil meu condicionamento para prestar e passar na prova de aptidão física (que não foi mole) no concurso para Médico Legista que fiz depois de “véio”. Gosto de correr, bicicletar e bato meu basquete semanalmente, mesmo quando o joelho não permite.

Que sugestão você daria para quem está cursando – atualmente – a FMSA?

  1. O fato de ser professor e ex-aluno aproxima mais você do aluno, aconselho-os para se dedicarem muito e aproveitarem cada segundo destes seis anos. Aproveitarem o que o professor transmite em aula para não ter que tentar entender sozinho o que está nos livros. Cobrar mais do docente. Frequentar tudo que a Instituição oferece como as Ligas, Bibliotecas, Projetos e também as quadras. Curtirem as festas e os treinos (isso não precisa enaltecer muito).

Pode sugerir um livro?

  1. Opa, claro. Tachdjian (Ortopedia pediátrica), RockWood (Fraturas), Campbell (Cirurgia Ortopédica), Hoppenfeld (Propedêutica), De Lee e Torg (Medicina esportiva), Netter (Anatomia e Fisiologia músculo esquelética), França e Hélio Gomes (Medicina legal). Brincadeira: esquece isso! Recomendaria o “Físico” de Noah Gordon, gostei muito, por isso saboreei-o demoradamente. Sempre gostei de ler, mas acelerei legal meu ritmo de leitura com a Adri*, mas não dá para acompanhá-la. Tenho um gosto para leitura diferente, leio dois ou três ao mesmo tempo conforme a situação que me encontro. Gosto de biografias, principalmente de músicos ou bandas (desde os malucos do Jazz, Carmen Miranda, Adoniran, Beatles até Led Zeppelin). Como sou bem defasado no quesito História fui atrás dos livros: 1808, 1822 e 1889, referentes à história do Brasil e a trilogia de Ken Follet, para as Guerras Mundiais. Não gosto de política, mas no que tange a ditadura militar brasileira li tudo que produziram (recomendo “A Ditadura Escancarada” do Elio Gaspari). Atu
    almente, apesar de não me recomendarem, estou lendo “Crime e Castigo” (Dostoiévski) junto com a biografia de Oliver Sacks. Gibi: sou catedrático, pode perguntar o que quiser sobre Asterix que eu mato a pau.

*Adri – Adriana Cordovil – sua esposa e também membro da XV Turma

DR.º FABIO BOUCAULT TRANCHITELLA É ORTOPEDISTA, MÉDICO DO ESPORTE, LEGISTA, PROFESSOR DA FMSA, BATERISTA, BASQUETEBOLISTA e Ex-ALUNO da XV TURMA.

Doutor Fabio